domingo, abril 22, 2012

[RE] Construction


Casinha suja essa, e a patroa afirma que faz tudo o que está ao seu alcance. A poeira já transbordou para todos os cantos do país e muitos dizem que essa "sujeira" é coisa normal e que o povo que se acostume. Aonde eu sei, uma vassourada caía-lhe muito bem, mas como muitas outras, essa é só mais uma promessa. De vez em quando são feitas umas reuniões, que sempre terminam com um bom rodízio de pizza. Vida boa essa. Mas sabe, acho que não é tão boa assim essa vida, os moradores de lá vestem-se sempre com as mesmas roupas coitados, vestes pretas e uma gravata também. No entanto parecem ser pessoas bem unidas. Uma vez, houve uma história de escândalos, alta inflação, dinheiros na cueca, corrupção e disseram que o circo tava pegando fogo. Coisa estranha não? Quanta confusão para aquela pobre gente.
Continua...

A casinha, o circo, bem são uma coisa só.
Entra ano e sai ano, porém os palhaços continuam se divertindo no picadeiro e fazendo graça para uma platéia cada vez mais cega.
Já está na hora de tirar a venda dos olhos e encarar a verdadeira realidade.
Proclame: Meu Voto Não É Ingresso de Circo.

quarta-feira, abril 18, 2012

Te Ignorar?


Você é a frase engasgada na minha garganta, a qual eu não ouso pronunciar, por medo de me perder em minhas próprias palavras. Você é a minha dor de cabeça. O meu melhor passa-tempo. O meu juízo estável e a minha loucura, sem contar os dias que me faz morrer... Quer saber se eu quero outra vida? Não e não.

segunda-feira, abril 16, 2012

Casualizando


Dois passarinhos estavam voando, brincando no azul dos céus, as vezes parecia que iam dar as asas um para o outro, como um casal romântico faria, lembrei-me da canção da Regina Spektor "Two Birds". Olhei em torno mais uma vez e não consegui mais enxergá-los, deveriam ter ido para o ninho ou voado para outro lugar, esse instante de reflexão fez o livro que estava lendo cair de minhas mãos. Havia alí um chão, algumas folhas secas, e pessoas que notaram meu "jeito desastroso" de ler. Algumas deram um leve sorriso e seguiram seus caminhos. Um casal de idosos sentados do outro lado do parque me encararam com um rosto angelical, parecia que olhavam para um parente ou amigo bastante íntimo. Acenaram para mim com toda delicadeza, eu respondi ao gesto e eles saíram para caminhar. Continuei sentada no banco, mas agora repara com mais precisão nas árvores, estavam radiantes naquela tarde. Algumas de tronco robusto e envelhecido, comprometidas com o tempo, já chegara a sua hora, porém ainda estavam firmes. Um carvalho antigo me atraiu a atenção, nasciam em seus pés belos amores-perfeitos, amarílis e orquídeas. Haviam outras flores, lindas por sinal, mas não tenho em mente o nome delas. Estava deslumbrada demais com aquela visão concedida pela natureza, não notei passos lentos à minha volta. Nem olhos perscrutores que mais tarde se encontrariam com os meus. Não sabia há quanto tempo ele se encontrava alí, mas sabia quem era. Um conhecido. Cumprimentei-lhe com um sorriso, não sabia bem o que fazer com as mãos desta vez. Ele fez o mesmo, um pouco desengonçado, caminhando agora, como se estivesse de partida. Guardei minhas coisas e levantei-me, estava ficando tarde. Fui andando, ele então virou em minha direção, cruzamos nossos caminhos e mais uma vez os olhares. Tive uma sensação de abrigo naquele instante, aqueles olhos permitiam isso, falavam diretamente para mim o que o seu coração sentia. Fiquei na retarguarda sem transparecer nada. Uma mão forte e segura agarrou a minha, eu a respeitei e segurei por um momento. Apenas um momento e saí sem olhar para trás.
Na volta para casa, avistei dois passarinhos que cantavam festejando o crepúsculo, eles explicavam toda a situação. Não sei como, mas consegui entender, a simplicidade e a envolvência do amor, o quanto é fácil ser feliz e o quanto a gente complica até chegar neste resultado de felicidade.

terça-feira, abril 10, 2012

Para não deixar por inadvertência


Porque será que a gente corre atrás daquele garoto, mesmo sabendo que há um sapo por trás daquele rostinho? Eu quero dizer morrer de esperanças, ficar horas sonhando com um amor que não existe. E então você dá de cara com o tal garoto e ele te pedi um beijo e você termina por ficar com ele, depois o próprio finge que nada aconteceu? E você ainda fica feito idiota pensando, lembrando do momento e buscando em tudo que é rede social e afins. Sabe, isso é gostar de sofrer, um sofrimento inevitável eu sei. Iludir-se é pior ainda, fingir pra si mesma que ele se importa com você e seus sentimentos, continuar se torturando, com a certeza de que ele vai pedir desculpas pela aflição causada e vocês vão ficar juntos. Este cavalheiro não vai te dar essa gentileza. Consequentemente a alusão de tal fato ocorre no intelecto nos momentos de fragilidade, os pensamentos querem sufocar e então a estagnação paira. Sem consciência de raciocínio. Neste caso, se desfaz depois de instantes, sem aviso prévio de quando vai voltar, ou esvaecer-se de vez.