segunda-feira, abril 16, 2012

Casualizando


Dois passarinhos estavam voando, brincando no azul dos céus, as vezes parecia que iam dar as asas um para o outro, como um casal romântico faria, lembrei-me da canção da Regina Spektor "Two Birds". Olhei em torno mais uma vez e não consegui mais enxergá-los, deveriam ter ido para o ninho ou voado para outro lugar, esse instante de reflexão fez o livro que estava lendo cair de minhas mãos. Havia alí um chão, algumas folhas secas, e pessoas que notaram meu "jeito desastroso" de ler. Algumas deram um leve sorriso e seguiram seus caminhos. Um casal de idosos sentados do outro lado do parque me encararam com um rosto angelical, parecia que olhavam para um parente ou amigo bastante íntimo. Acenaram para mim com toda delicadeza, eu respondi ao gesto e eles saíram para caminhar. Continuei sentada no banco, mas agora repara com mais precisão nas árvores, estavam radiantes naquela tarde. Algumas de tronco robusto e envelhecido, comprometidas com o tempo, já chegara a sua hora, porém ainda estavam firmes. Um carvalho antigo me atraiu a atenção, nasciam em seus pés belos amores-perfeitos, amarílis e orquídeas. Haviam outras flores, lindas por sinal, mas não tenho em mente o nome delas. Estava deslumbrada demais com aquela visão concedida pela natureza, não notei passos lentos à minha volta. Nem olhos perscrutores que mais tarde se encontrariam com os meus. Não sabia há quanto tempo ele se encontrava alí, mas sabia quem era. Um conhecido. Cumprimentei-lhe com um sorriso, não sabia bem o que fazer com as mãos desta vez. Ele fez o mesmo, um pouco desengonçado, caminhando agora, como se estivesse de partida. Guardei minhas coisas e levantei-me, estava ficando tarde. Fui andando, ele então virou em minha direção, cruzamos nossos caminhos e mais uma vez os olhares. Tive uma sensação de abrigo naquele instante, aqueles olhos permitiam isso, falavam diretamente para mim o que o seu coração sentia. Fiquei na retarguarda sem transparecer nada. Uma mão forte e segura agarrou a minha, eu a respeitei e segurei por um momento. Apenas um momento e saí sem olhar para trás.
Na volta para casa, avistei dois passarinhos que cantavam festejando o crepúsculo, eles explicavam toda a situação. Não sei como, mas consegui entender, a simplicidade e a envolvência do amor, o quanto é fácil ser feliz e o quanto a gente complica até chegar neste resultado de felicidade.

2 comentários:

Hadassa Hana disse...

muito legal! amei seu blog! to te seguindo me segue de volta? parasemprebemvestida.blogspot.com

Gih L. Moura disse...

Obrigada Hadassa :D