terça-feira, outubro 11, 2011

Mais uma vez, eu sei


Um mês e alguns dias, velejando nesse barco, canoa a vênus. Ainda não avisto terra firme, nem pássaros cantam ao meu ouvido, apenas os vejo voar, livres, com asas longas em direção ao nada. As ondas ora serenas, ora agitadas, conseguem me confundir com essa bipolaridade, os olhos verde-água me confundem mais ainda. As confusões dessa jornada são inúmeras, porém minha fraca memória não me permite recordar com exatidão alguns detalhes, quer sejam importantes, ou meros acontecimentos. Nessa brisa aconchegante adormeço, com um dia e meio de socego, sem mais emoções para lhe dar, sem horizonte e sem recentimentos, apenas lamento esse mar, a me guiar sem direção, a iludir com tantas mentiras como fez a outras tantas como eu. Embarcações e barquinhos que acreditavam chegar ao lar, morreram na praia, sem tocar a areia com pés vivos. Alguns dias e um mês, é muito tempo, uma eternidade quando os olhos não enxergam um palmo a frente do naris.

Um comentário:

Curiosa disse...

Não é muito agradável estar à deriva, sem ter controle de absolutamente nada. É como estar presa na liberdade. Não há nenhum muro, nada que te impessa de nadar até se afogar, literalmente morrer tentando, mas também não há como remar. Rezar por um milagre, talvez? De um jeito ou de outro, sabemos que assim, para sempre, não há de ficar.

Boa sorte, Ju#